Jihad Hammadeh

Bin Laden mudou a vida dele – Isto É Gente

Bin Laden mudou a vida dele – Isto É Gente

De tanto aparecer na televisão para explicar o Islamismo, o bem-humorado líder da comunidade muçulmana no Brasil se transforma em celebridade.

Fotos: Claudio Gatti
O xeque Jihad com o Corão na mesquita de São Bernardo do Campo e na tradicional reverência do Islamismo: “Islã quer dizer submissão ao Deus único, e não mau-humor”, diz

Desde o momento em que ficou clara a participação de extremistas muçulmanos nos atentados contra os Estados Unidos no dia 11 de setembro, o xeque Jihad Hassan Hammadeh, 36 anos, se tornou uma espécie de celebridade nacional. Ele apareceu em todos os canais de televisão explicando os conceitos da religião. Diante das câmeras, Jihad consegue ir além do simples repúdio aos ataques terroristas. Ele fala com fluência ímpar e usa o sorriso se mostrando íntimo das câmeras como se fosse um profissional da telinha. “Islã quer dizer submissão ao Deus único, e não mau-humor”, ensina. Nos momentos de fama, teve de responder a jornalistas se o hábito de usar barba seria uma imposição da cultura: “Não há regras para isso, eu uso porque sou muito feio e fico melhor com a rosto barbudo”, improvisou. Por conta da exposição na tevê, o religioso começou a ser reconhecido fora da comunidade muçulmana. “Hoje me param na rua para pedir autógrafos”, conta.

Vice-presidente da Assembléia Mundial da Juventude Islâmica, Jihad é responsável por um rebanho de 1,5 milhão de fiéis em 40 mesquitas do Brasil. Essa posição o levou a ser consultor de cultura islâmica da novela global O Clone. Ele fez uma série de workshops com o elenco. A comunidade islâmica de São Paulo vê com bons olhos a descontração que marca o trabalho do xeque. “Esse jeito brincalhão atrai os jovens para a mesquita”, diz Ahmed Ale Saif, 55 anos, presidente da Junta de Assistência Social Islâmica Brasileira.

Jihad nasceu em Damasco, capital da Síria. Veio para o Brasil com oito anos. “Papai vendia colchas e cobertores de porta em porta”, recorda Jihad. Com o trabalho de mascate, a família juntou dinheiro suficiente para abrir uma loja de roupas. “Mas eu gostava mesmo era de estudar.” Tanto que, aos quinze anos, o jovem conseguiu uma bolsa de estudos da Universidade de Medina, na Arábia Saudita. “Tinha muitas dúvidas sobre a religião e não havia nenhum estudioso no Brasil que pudesse saná-las”, conta. Jihad se formou em jurisprudência islâmica, um curso de dez anos com disciplinas como economia, história, educação, direito e sociologia. “A idéia era ensinar o que aprendi para as crianças muçulmanas do Brasil.”

Ao voltar da Arábia em 1991, Jihad assumiu a posição de xeque, uma espécie de sacerdote mas que não recebe salário da comunidade para exercer suas funções. Os recursos de Jihad vêm das lojas de móveis de sua família em Santo André e Diadema, na Grande São Paulo. “Às vezes eu ajudo na contabilidade”, conta. Mas o que toma mesmo o seu tempo é a religião. Ele coordena um curso de idioma árabe para 65 crianças da colônia libanesa e participa das atividades na mesquita de São Bernardo do Campo, uma imponente construção com um salão de 450 metros quadrados e 109 janelas. Com tanta atividade não sobra muito tempo para a vida pessoal. O xeque ainda mora com os pais e não tem namorada. “Estou encalhado”, brinca.

Cesar Guerrero

https://www.terra.com.br/istoegente/115/reportagem/xeque_jihad.htm

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